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TEMPO NOVO OU NOVO TEMPO?


Por Reh Freitas

 

acolhi a vida, deitei nas margens do tempo, rosadinhas, as maçãs da face, crescidinhas as folhas da árvore, confesso nada a dizer, além do sentir a luz do abajur a clarear o quarto. Em um sobressalto, tempo novo ou novo tempo? E eu me recordo do dia em que, a linha embaraçou-se, puxei fio a fio com delicadeza - quantos nós existentes em nós? Vislumbrei a janela e o sol aquecia os olhos, reflexos, espelhos, estilhaços, sobras, a lente do óculos ainda embaçada...debrucei em páginas...o choro era livre, alma-irrequieta, o cabelo bagunçado, eu queria saltar o dia, a paciência sussurrou no meu ouvido que ouvia, todavia, não escutava. Escutei o estrondo, caiu da última prateleira. De costas, não se podia ler se não o virasse de frente, e lá estava escrito, é... a lente ainda encontrava-se embaçada, com as mãos cobertas de suor, apanhei-o carinhosamente, passei as mãos pela capa esverdeada e esbranquiçada, cheirei as folhas amareladas, enxerguei a orelha, a contracapa, derramei-me por inteira, insisti e persisti, entre palavras monossílabas e dissílabas, certamente, frase em sua completude, demarcava a vontade de devorá-lo, afinal, naquela hora até a comida triturada pelo liquidificador não descia goela abaixo. A chuva era torrencial, lavava-lavava-, lavava-lavava, lavava-lavava...demoradamente, e o instante convocava, calmaria, ufa! Cal-ma-ria! arrumei a colcha de crochê e me acomodei quietinha, ao ajeitar a fronha florida do travesseiro, lá fora cantarolava o passarinho, os sonhos adormecidos acordavam comigo todo santo dia! Inda havia esperança, caí na dança: Fernando Sabino, mineirinho, assim como eu, dei uma escapulida, abri a geladeira: queijo fresco e goiabada – casadinho. Hummmm...Embebi-me em sua prosa leve, otimista – literatura brasileira século XX – valorei o presente - em meio às tantas incertezas, encontrei a flanela rosa, ao enxugar a lente, coloquei as cartas sobre a mesa, mesa farta. A vitrola afinou a voz e tocava...tocava...”No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim.” O silêncio tomou conta do recinto. Inda chove...


Reh Freitas

Poeta/Educadora/Escritora/Artesã

Membro Acadêmica ABHL


1 comentário


Um texto sensível, "aconchegante". Por alguma razão, lembrei-me dos tempos de infância, das manhãs de inverno no sul do país, do café preparado pela minha mãe e, num átimo, 14 ou 15 anos, uma urgente paixão pela leitura. Como as coisas são urgentes na juventude. Hoje, a maturidade quereria retornar às calmarias de outrora.

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