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A LEITORA DO TEMPO: "Missa do Galo"

Atualizado: 23 de dez. de 2025

Por Anapuena Havena





Rio de Janeiro, 13 de maio de 1894.

 

Quando meus olhos finalmente se dignaram a abrir naquela manhã, percebi que já era dia, e pela intensidade da luz que entrava pelas frestas da janela do quarto, aquela era uma hora avançada.


Levantei-me da cama ainda desejando nela permanecer, mas os compromissos diários irrompiam em minha mente e forçaram-me a deixar o leito.


Escolhi o vestido para o dia. Sentei-me diante da penteadeira para melhorar a minha aparência; imediatamente percebi que o pó de arroz me seria muito útil!


Ao entrar na sala de jantar, o café da manhã já me esperava. Sentei-me à mesa, sozinha. As crianças brincavam no jardim com suas cuidadoras e meu marido precisou sair para tratar com seu comissário de café, ainda que fosse domingo. Acredito que ele tenha me dado o rotineiro beijo de despedida antes de sair, mas confesso não lembrar disso, pelo menos agora.


Servi-me de uma fatia de bolo de milho e enchi a xícara de café. Ao tomar o primeiro gole, senti meu paladar agraciado com um delicioso café fresquinho, feito do grão torrado que acabara de chegar da fazenda. Envolvida na quietude do ambiente, observei o exemplar do jornal Gazeta de Notícias que meu marido havia deixado sobre a mesa.


Estendi o braço para alcançar o jornal e comecei a conferir as notícias do dia, sem muita motivação, até que uma nota me chamou a atenção: um conto de Machado de Assis havia sido publicado na revista A Semana, na edição n. 41.


Terminei o café apressada. Muito aprecio os textos de Machado e acompanho suas publicações desde que tomei gosto pela leitura.


Não faça mau juízo da minha pessoa, mas houve uma época em que eu não gostava de ler, até que um dia descobri um escritor que pareceu conversar comigo. Penso que para cada tipo de leitor há um tipo de escritor que lhe corresponda, e se ainda acredita não ter alguma inclinação para a leitura, não desista; uma hora surgirá um livro que lhe conquistará a estima.


Tratei de procurar o exemplar da revista, que chegara à minha casa no dia anterior; mas não pude dar-lhe a devida atenção, tão empenhada estava com as lições das crianças. Encontrei A Semana na mesa de apoio da sala e o conto "Missa do Galo" em sua segunda página, logo na primeira coluna. Comecei a leitura.


Li lentamente cada palavra, na tentativa de me afastar do fim do texto. Costumo degustar cada palavra vagarosamente para não correr o risco de engolir alguma sem saboreá-la; um detalhe despercebido pode alterar o sentido da mensagem. Tal qual a comida que, quando não é corretamente mastigada, pode fazer-nos engasgar ou causar má digestão.


Inevitavelmente, terminei a leitura. O texto não me decepcionou. Confesso que, a princípio, julguei a obra pelo título, o que me fez criar falsas expectativas. Esperei ler uma descrição da Missa do Galo daquele referido ano, imaginei a presença do imperador Dom Pedro II, já que o texto se passa em 1861 (ou 1862) e esperei até mesmo ler algo relacionado ao sermão do padre. Mas, para a minha surpresa, a história se passa em uma cena anterior ao evento e narra uma conversa que inicialmente parecia despretensiosa, mas que sutilmente foi revelando nuances de seus personagens.


Essa foi a minha percepção. E se deseja ter sua própria opinião sobre o conto, deixo aqui o exemplar de A Semana para que leia e tire as próprias conclusões. E, quem sabe, depois possamos conversar a respeito.




MISSA DO GALLO



Por Machado de Assis (Publicado originalmente em 12 de maio de 1894)


Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, ha muitos annos, contava eu desesete, ella trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos á missa do gallo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordal-o á meia-noite.

A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Menezes, que fora casado, em primeiras nupcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, mezes antes, a estudar preparatorios. Vivia tranquillo, naquella casa assobradada da rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A familia era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Ás dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; ás dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao theatro, e, mais de uma vez, ouvindo dizer ao Menezes que ia ao theatro, pedi-lhe que me levasse comsigo. Nessas occasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam á socapa; elle não respondia, vestia-se, sahia e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o theatro era um euphemismo em acção. Menezes trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fóra de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a principio, com a existencia da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.

Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao titulo, tão facilmente supportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lagrimas, nem grandes risos. No capitulo de que trato, dava para mahometana; aceitaria um "harem", com as apparencias salvas. Deus me perdôe, se a julgo mal. Tudo nella era attenuado e passivo. O proprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa sympathica. Não dizia mal de ninguem, perdoava tudo. Não sabia odiar; póde ser até que não soubesse amar.

Naquella noite de Natal foi o escrivão ao theatro. Era pelos annos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em ferias; mas fiquei até o Natal para ver "a missa do gallo na Corte". A familia recolheu-se á hora do costume; eu metti-me na sala da frente, vestido e prompto. Dalli passaria ao corredor da entrada e sahiria sem acordar ninguem. Tinha tres chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.

— Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? perguntou-me a mãe de Conceição.

— Leio, D. Ignacia.

Tinha commigo um romance, os "Tres Mosqueteiros", velha traducção creio do "Jornal do Commercio". Sentei-me á mesa que havia no centro da sala, e á luz de um candieiro de kerozene, emquanto a casa dormia, trepei ainda uma vez ao cavallo magro de D'Artagnan e fui-me ás aventuras. Dentro em pouco estava completamente ebrio de Dumas. Os minutos voavam, ao contrario do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quasi sem dar por ellas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veiu acordar-me da leitura. Eram uns passos mansos no corredor que ia da sala de visitas á de jantar; levantei a cabeça; logo depois vi assomar á porta da sala o vulto de Conceição.

— Ainda não foi? perguntou ella.

— Não fui; parece que ainda não é meia-noite.

— Que paciencia!

Conceição entrou na sala, arrastando as chinellinhas da alcova. Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romantica, não disparatada com o meu livro de aventuras. Fechei o livro; ella foi sentar-se na cadeira que ficava defronte de mim, perto do canapé. Como eu lhe perguntasse se a havia acordado, sem querer, fazendo barulho, respondeu com presteza:

— Não! qual! Acordei por acordar.

Fitei-a um pouco e duvidei da affirmativa. Os olhos não eram de pessoa que acabasse de dormir; pareciam não ter ainda pegado no somno. Essa observação, porém, que valeria alguma cousa em outro espirito, depressa a botei fóra, sem advertir que talvez não dormisse justamente por minha causa, e mentisse para me não affligir ou aborrecer. Já disse que ella era boa, muito boa.


— Mas a hora já ha de estar proxima, disse eu.


— Que paciencia a sua de esperar acordado, emquanto o vizinho dorme! E esperar sosinho! Não tem medo de almas do outro mundo? Eu cuidei que se assustasse quando me vio.


— Quando ouvi os passos estranhei: mas a senhora appareceu logo.


— Que é que estava lendo? Não diga, já sei, é o romance dos "Mosqueteiros".


— Justamente: é muito bonito.


— Gosta de romances?


— Gosto.


— Já leu a "Moreninha"?


— Do Dr. Macedo? Tenho lá em Mangaratiba.


— Eu gosto muito de romances, mas leio pouco, por falta de tempo. Que romances é que você tem lido?


Comecei a dizer-lhe os nomes de alguns. Conceição ouvia-me com a cabeça reclinada no espaldar, enfiando os olhos por entre as palpebras meio-cerradas, sem os tirar de mim. De vez em quando passava a lingua pelos beiços, para humedecel-os. Quando acabei de fallar, não me disse nada; ficamos assim alguns segundos. Em seguida, vi-a endireitar a cabeça, cruzar os dedos e sobre elles pousar o queixo, tendo os cotovellos nos braços da cadeira, tudo sem desviar de mim os grandes olhos espertos.


— Talvez esteja aborrecida, pensei eu.


E logo alto:


— D. Conceição, creio que vão sendo horas, e eu...


— Não, não, ainda é cedo. Vi agora mesmo o relogio; são onze e meia; Tem tempo. Você, perdendo a noite, é capaz de dormir de dia?


— Já tenho feito isso.


— Eu, não; perdendo uma noite, no outro dia estou que não posso, e, meia hora que seja, hei de passar pelo somno. Mas tambem estou ficando velha.


— Que velha o quê, D. Conceição?


Tal foi o calor da minha palavra que a fez sorrir. De costume tinha os gestos demorados e as attitudes tranquillas; agora, porem, ergueu-se rapidamente, passou para o outro lado da sala e deu alguns passos, entre a janella da rua e a porta do gabinete do marido. Assim, com o desalinho honesto que trazia, dava-me uma impressão singular. Magra embora, tinha não sei que balanço no andar, como quem lhe custa levar o corpo; essa feição nunca me pareceu tão distincta como naquella noite. Parava algumas vezes, examinando um trecho de cortina ou concertando a posição de algum objecto no aparador; afinal deteve-se, ante mim, com a mesa de permeio. Estreito era o circulo das suas idéas; tornou ao espanto de me ver esperar accordado; eu repeti-lhe o que ella sabia, isto é, que nunca ouvira missa do gallo na Côrte, e não queria perdel-a.


— E' a mesma missa da roça; todas as missas se parecem.


— Acredito; mas aqui ha de haver mais luxo e mais gente tambem. Olhe, a semana santa na Côrte é mais bonita que na roça. S. João não digo, nem Santo Antonio...


Pouco a pouco, tinha-se inclinado; fincara os cotovellos no marmore da mesa e mettera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas as mangas, cahiram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muito claros, e menos magros do que se poderiam suppor. A vista não era nova para mim, posto tambem não fosse commum; naquelle momento, porem, a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azues, que apezar da pouca claridade, podia contal-as do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras cousas que me iam vindo á boca. Fallava emmendando os assumptos, sem saber por que, variando delles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazel-a sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos eguaiesinhos. Os olhos della não eram bem negros, mas escuros; o nariz, secco e longo, um tantinho curvo, dava-lhe ao rosto um ar interrogativo. Quando eu alteava um pouco a voz, ella reprimia-me:


— Mais baixo! mamãe póde acordar.


E não sahia daquella posição, que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras. Realmente, não era preciso fallar alto para ser ouvido; cochichavamos os dous, eu mais que ella, porque fallava mais; ella, ás vezes, ficava séria, muito séria, com a testa um pouco franzida. Afinal, cançou; trocou de attitude e de logar. Deu volta á mesa e veiu sentar-se do meu lado, no canapé. Voltei-me, e pude ver, a furto, o bico das chinellas; mas foi só o tempo que ella gastou em sentar-se, o roupão era comprido e cobriu-as logo. Recordo-me que eram pretas. Conceição fallou baixinho:


— Mamãe está longe, mas tem o somno muito leve; se acordasse agora, coitada, tão cedo não pegava no somno.


— Eu tambem sou assim.


— O que? perguntou ella inclinando o corpo para ouvir melhor.


Fui sentar-me na cadeira que ficava ao lado do canapé e repeti a palavra. Riu-se da coincidencia; tambem ella tinha o somno leve; eramos tres somnos leves.


— Ha occasiões em que sou como mamãe; acordando, custa-me dormir outra vez, rólo na cama, á toa levanto-me, accendo vela, passeio, torno a deitar-me e nada.


— Foi o que lhe aconteceu hoje.


— Não, não, atalhou ella.


Não entendi a negativa; ella póde ser que tambem não a entendesse. Pegou das pontas do cinto e bateu com ellas sobre os joelhos, isto é, o joelho direito, porque acabava de crusar as pernas. Depois referiu uma historia de sonhos, e affirmou-me que só tivera um pesadelo, em creança. Quiz saber se eu os tinha. A conversa reatou-se assim lentamente, longamente, sem que eu désse pela hora nem pela missa. Quando eu acabava uma narração ou uma explicação, ella inventava outra pergunta ou outra materia, e eu pegava novamente na palavra. De quando em quando, reprimia-me:


— Mais baixo, mais baixo...


Havia tambem umas pausas. Duas ou tres vezes, pareceu-me que a via dormir; mas os olhos, cerrados por um instante, abriam-se logo sem somno nem fadiga, como se ella os houvesse fechado para ver melhor. Uma dessas vezes creio que deu por mim embebido na sua pessoa, e lembra-me que os tornou a fechar, não sei se apressada ou vagarosamente. Ha impressões dessa noite, que me apparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me. Uma das que ainda tenho frescas é que, em certa occasião, ella, que era apenas sympathica, ficou linda, ficou lindíssima. Estava de pé, os braços cruzados; eu, em respeito a ella, quiz levantar-me; não consentiu, pôz uma das mãos no meu hombro, e obrigou-me a estar sentado. Cuidei que ia dizer alguma cousa; mas estremeceu, como se tivesse um arrepio de frio, voltou as costas e foi sentar-se na cadeira, onde me achára lendo. Dalli relanceou a vista pelo espelho, que ficava por cima do canapé, fallou de duas gravuras que pendiam da parede.


— Estes quadros estão ficando velhos. Já pedi a Chiquinho para comprar outros.


Chiquinho era o marido. Os quadros fallavam do principal negocio deste homem. Um representava "Cleopatra"; não me recordo o assumpto do outro, mas eram mulheres. Vulgares ambos; naquelle tempo não me pareciam feios.


— São bonitos, disse eu.


— Bonitos são; mas estão manchados. E depois francamente, eu preferia duas imagens, duas santas. Estas são mais proprias para sala de rapaz ou de barbeiro.


— De barbeiro? A senhora nunca foi a casa de barbeiro.


— Mas imagino que os freguezes, em quanto esperam, fallam de moças e namoros, e naturalmente o dono da casa alegra a vista delles com figuras bonitas. Em casa de familia é que não acho proprio. E' o que eu penso; mas eu penso muita cousa assim exquisita. Seja o que fôr, não gosto dos quadros. Eu tenho uma Nossa Senhora da Conceição, minha madrinha, muito bonita; mas é de esculptura, não se póde pôr na parede, nem eu quero. Está no meu oratorio".


A idéia do oratorio trouxe-me a da missa; lembrou-me que podia ser tarde e quiz dizel-o. Penso que cheguei a abrir a boca, mas logo a fechei para ouvir o que ella dizia, com doçura, com graça, com tal molleza que trazia preguiça á minha alma e fazia esquecer a missa e a egreja. Fallava das suas devoções de menina e moça. Em seguida, contou umas anedotas de baile, uns casos de passeio, reminiscencias de Paquetá, tudo de mistura, quasi sem interrupção. Quando cansou do passado, fallou do presente, dos negocios da casa, das canceiras de familia, que lhe diziam ser muitas, antes de casar, mas não eram nada. Não me contou, mas eu sabia que casára aos vinte e sete annos.


Já agora não trocava de lugar, como a principio, e quasi não sahira da mesma attitude. Não tinha os grandes olhos compridos, emfim, e ficou a olhar á toa para as paredes.


— Precisamos mudar o papel da sala, disse dahi a pouco, como se fallasse comsigo.


Concordei, para dizer alguma cousa, para sair da especie de somno magnetico, ou o que quer que era que me tolhia a lingoa e os sentidos. Queria e não queria acabar a conversação; fazia esforço para arredar os olhos della, e arredava-os por um sentimento de respeito; mas a ideia de parecer que era aborrecimento, quando não era, levava-me os olhos outra vez para Conceição. A conversa ia morrendo. Na rua, o silencio era completo.


Chegamos a ficar por algum tempo, — não posso dizer quanto, — inteiramente callados. O rumor unico, e escasso, era um roer de camondongo no gabinete, que me accordou daquella especie de somnolencia; quiz fallar delle, mas não achei modo. Conceição parecia estar devaneando. Subitamente, ouvi uma pancada na janella, do lado de fóra, e uma voz que bradava: "Missa do gallo! missa do gallo!"


— Ahí está o companheiro, disse ella levantando-se. Tem graça; você é que ficou de ir acordal-o, elle é que vem acordar você. Vá, que hão de ser horas; adeus.


— Já serão horas? perguntei.


— Naturalmente.


— Missa do gallo! repetiram de fóra, batendo.


— Vá, vá, não se faça esperar. A culpa foi minha. Adeus; até amanhã.


E com o mesmo balanço do corpo, Conceição enfiou pelo corredor dentro, pizando de mansinho. Sahi á rua e achei o vizinho que esperava. Guiamos dalli para a egreja. Durante a missa, a figura de Conceição interpoz-se, mais de uma vez, entre mim e o padre; fique isto á conta dos meus dezesete annos. Na manhã seguinte, no almoço, fallei da missa do gallo e da gente que estava na egreja sem excitar a curiosidade de Conceição. Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da vespera. Pelo Anno-Bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro, em Março, o escrivão tinha morrido de apoplexia: Conceição morava no Engenho Novo, mas nem a visitei nem a encontrei. Ouvi mais tarde que casára com o escrevente juramentado do marido.


Machado de Assis.




Documentação Histórica


Estes foram os periódicos que li naquela manhã de domingo. Apresento-lhe para que possa desfrutar da mesma leitura que tive.



Texto publicado no jornal Gazeta de Notícias (Rio de Janeiro), em 13 de maio de 1894.
Texto publicado no jornal Gazeta de Notícias (Rio de Janeiro), em 13 de maio de 1894.


Conto Missa do Galo, de Machado de Assis, publicado na revista A Semana, em 12 de maio de 1894.
Conto Missa do Galo, de Machado de Assis, publicado na revista A Semana, em 12 de maio de 1894.

A Semana (edição nº 41), 12 de maio de 1894 — Machado de Assis, “Missa do Galo”
A Semana (edição nº 41), 12 de maio de 1894 — Machado de Assis, “Missa do Galo”

Fontes:

Gazeta de Notícias (Rio de Janeiro), 13 maio 1894.

Machado de Assis, “Missa do Galo”, A Semana, ed. n. 41, 12 maio 1894.


Por Anapuena Havena

Historiadora e pesquisadora

Presidente da Academia Brasileira de História e Literatura

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