Belo Horizonte, 128 anos: uma capital pensada para o futuro
- Anapuena Havena
- 12 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Em 12 de dezembro de 2025, Belo Horizonte completa 128 anos. Olhar para a trajetória da capital mineira é revisitar um dos mais ousados projetos urbanos do Brasil republicano.
Diferentemente da maioria das cidades brasileiras, formadas de modo gradual em torno de igrejas, portos ou caminhos comerciais, Belo Horizonte nasceu de uma decisão política consciente.
No final do século XIX, a então capital de Minas Gerais, Ouro Preto — antiga Vila Rica — já enfrentava limitações físicas severas para sua expansão. O relevo acidentado, as ruas estreitas e as dificuldades de adaptação às novas exigências sanitárias e administrativas tornavam cada vez mais inviável sua permanência como centro político do estado.
A mudança da capital, porém, não se explicou apenas por razões geográficas. Inserida no contexto da consolidação do regime republicano, a transferência expressava também um desejo simbólico de ruptura com o passado colonial e monárquico. A nova capital deveria representar ordem, progresso e racionalidade administrativa — valores caros às elites republicanas do período.
O local escolhido foi o então Arraial do Curral del Rey, cuja desapropriação e reorganização tiveram início na década de 1890. Em 1893, o sítio foi oficialmente definido como sede do novo empreendimento urbano. Pela primeira vez no Brasil, uma capital estadual seria inteiramente planejada antes de sua efetiva construção.
Sob a coordenação do engenheiro Aarão Reis, o projeto urbano inspirou-se nos princípios do urbanismo racional e higienista do final do século XIX, dialogando com modelos europeus, especialmente franceses. O traçado geométrico, as avenidas largas e a organização funcional do espaço buscavam impor ordem e funcionalidade a uma paisagem montanhosa, típica de Minas Gerais.
Quando inaugurada, em 12 de dezembro de 1897, a então chamada Cidade de Minas ainda estava longe de concluída. Ruas inacabadas, lama e obras em andamento faziam parte do cotidiano da nova capital.
Desde seus primeiros anos, também se evidenciava uma divisão socioespacial: enquanto a área planejada destinava-se aos funcionários públicos e às elites administrativas, muitos dos trabalhadores responsáveis pela construção da cidade passaram a ocupar áreas periféricas, fora do plano original.
Ao longo do século XX, Belo Horizonte cresceu para além do projeto inicial. O traçado rígido concebido por Aarão Reis foi sendo transformado pela dinâmica social, econômica e cultural. A cidade consolidou-se como metrópole, polo cultural e espaço de criação, tornando-se berço de movimentos como o Clube da Esquina e palco de realizações arquitetônicas emblemáticas, como o Conjunto da Pampulha, reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade.
Belo Horizonte foi uma cidade concebida como símbolo de modernidade, mas que encontrou sua identidade na convivência entre planejamento e experiência vivida. É nessa síntese — profundamente mineira — que Belo Horizonte segue construindo seu futuro.
Parabéns, Belo Horizonte!




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